top of page
  • Foto do escritorDcom

Preciso captar recursos. Que tipo de investidor devo buscar?

Quando uma empresa quer captar recursos privados, ela precisa decidir se buscará um investidor financeiro ou um investidor estratégico, pois essa resposta permitirá definir toda a estratégia da captação e, futuramente, é o que moldará a estrutura da operação de investimento. Você conhece a diferença entre esses tipos de investidores?


Durante a trajetória de uma startup, é comum que os fundadores busquem capital de terceiros para financiar e operacionalizar o modelo de negócios, desde a concepção até a escalada da operação. Nesses momentos, eles precisarão tomar decisões estratégicas, entre elas que tipo de investidor deverão buscar para seu negócio.

 

Ter a resposta a essa pergunta desde o primeiro momento é importante porque é o que permite definir toda a estratégia da captação. Além disso, é o que moldará a estrutura da operação de investimento, influenciando desde os mecanismos de liquidez, regras de governança e eventuais travas de atuação, até o percentual de equity a ser comprometido no cap table.

 

Há dois tipos de investidores: os estratégicos e os financeiros. Os primeiros são aqueles que atuam no mesmo segmento ou vertical da startup a ser investida, podendo ser até mesmo um concorrente. Normalmente, é um player de relevância, com experiência e conhecimento sobre o mercado em questão. Do ponto de vista da estrutura, pode ser uma empresa ou um veículo constituído por ela, como um fundo de Corporate Venture Capital ou uma Sociedade de Propósito Específico.

 

O objetivo do investidor estratégico vai além do retorno financeiro sobre o investimento. É comum que eles busquem explorar oportunidades comerciais específicas a partir de sinergias entre seu negócio e o da startup a ser investida. Assim, a operação pode envolver a integração da tecnologia ou do time da target para otimizar algum processo, produto ou serviço do investidor.

 

Por esse motivo, ao optar por buscar um investidor com esse perfil, é preciso que a startup tenha cuidado com o compartilhamento de informações e documentos sensíveis no início das conversas pré-deal. Além disso, ao evoluir nas negociações, é importante se atentar a: (i) possíveis restrições à atuação da target – por exemplo, através de cláusulas de non compete, non solicit, exclusividade e lock-up dos founders; (ii) cláusulas que possibilitem o investidor adquirir, no futuro, 100% do negócio (normalmente, a um valuation com metodologia pré-determinada), caso a tese de investimento seja validada; e até mesmo (iii) bonificações em caso de atingimento de metas de performance da investida.

 

Um ponto de atenção ao trazer um investidor estratégico para o barco é que ele pode gerar alguma limitação de acesso ao mercado, o que pode colocar a startup investida em uma situação de fragilidade negocial caso precise captar novos recursos no futuro. No entanto, se bem estruturada, a associação a esse perfil de investidor pode trazer várias vantagens, como, por exemplo, gerar boa percepção no mercado, já que se presume a validação do modelo de negócios da target por um investidor que conhece aquele segmento. Além disso, o investidor estratégico pode gerar boas conexões para a investida, além de compartilhar know-how importante.

 

Já o investidor financeiro costuma ser um fundo de venture capital, um investidor anjo ou até uma aceleradora interessada no crescimento e na valorização do negócio para que possa, futuramente, fazer o exit e gerar liquidez – o que costuma ocorrer com a venda da investida a um player estratégico ou com o IPO da investida.

 

Como seu objetivo é maximizar o retorno sobre seu investimento, esse tipo de investidor entra na empresa e espera novas rodadas de investimento e o crescimento alavancado da investida, até que ela atinja indicadores financeiros atrativos o suficiente para permitir o “evento de liquidez”. Por isso, é comum que eles queiram resguardar algum gatilho de liquidez, ou pelo menos um retorno mínimo para seu investimento (por exemplo, a partir da fixação de pisos de retorno e cláusulas que o permitam forçar sua saída da investida).

 

Além disso, para é comum que os investidores financeiros queiram resguardar alguma ingerência sobre o negócio, bem como a sua participação na investida. Assim, ao tratar com eles, é preciso alinhar expectativas sobre os direitos patrimoniais e políticos que eles passarão a ter ao ingressar no quadro societário da target. Com isso, o nível de ingerência desejado no dia a dia operacional e na estrutura da startup fica claro, evitando-se a imposição de obstáculos desnecessários ao atingimento de metas do negócio e que rodadas futuras de investimento possam ocorrer sem muitas dores de cabeça.

 

Como se vê, são diversas as variáveis que devem ser consideradas ao escolher buscar um ou outro tipo de investidor. Os objetivos e expectativas da target devem estar bem alinhados aos do investidor para que suas contribuições possam ser efetivamente valiosas para o desenvolvimento da startup.


Este artigo foi escrito pela Dcom: A Dcom é parceiro do FDC Angels realizando as due dilegences de nossa rede, bem como, nos acessorando juridicamente. Ela é um escritório de advocacia que oferece a confiança necessária para que empreendedores e empresas diferenciadas tomem as melhores decisões em situações complexas ou frente aos desafios do dia a dia, do seed ao IPO, do bootstrapping ao exit. Saiba mais sobre eles clicando aqui.

Comments


bottom of page